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Economia

sexta, 09 de março de 2018
FORBES, A PRINCIPAL REVISTA DE NEGÓCIOS DO MUNDO, EXPLICA O SUCESSO DO “NOVO PARAGUAI”

A revista Forbes, dos Estados Unidos, a mais conceituada publicação de negócios do mundo, fez uma extensa análise sobre o Paraguai, com o título “o novo líder emergente da América do Sul”

 

OUTRO PARAGUAI

Quando se fala em Paraguai, já se pensa no caos, trânsito desorganizado, sujeira urbana, e tudo o mais de Ciudad del Este.

Se pensa em tráfico, contrabando, muamba, produtos falsificados, os “carperos”, violência e por aí afora.

A maioria das pessoas vai a Ciudad del Este fazer compras e pensa que conhece o Paraguai.

Mas, não é bem assim. O Paraguai tem o “outro lado da moeda”, que a maioria não conhece.

Hoje o Paraguai é visto, principalmente por empresários, investidores e economistas, como o melhor país da América do Sul para investir.

Segundo a ONU, o Paraguai é o país menos violento da América do Sul, e a taxa de roubos, por habitante, é 4,8 vezes menor que a do Brasil.

É o país com mais segurança jurídica da América do Sul.

O Paraguai tem belezas naturais, cultura e tradição fascinantes.

É o maior exportador mundial de energia elétrica; a inflação é abaixo de 5%%; tem uma taxa de alfabetização de 94% (no Brasil é 88,6%); a expectativa de vida é de 74,6 anos (no Brasil é de 72,8 anos); o crescimento da indústria é de 6,5%, cerca de vezes maior que o Brasil; tem um dos agronegócios mais promissores do mundo, que responde por 65,3% das exportações do Paraguai, sendo o 15º maior exportador de arroz do mundo, 10º de trigo (único país tropical que exporta trigo), 8º maior industrializador da soja; 8º maior exportador de carne bovina do mundo; 6º de milho; 6º de soja; 4º de amido de mandioca; 3º maior produtor e exportador de erva mate do mundo; 2º de estévia; maior produtor e exportador mundial de açúcar orgânico; tem a terceira maior frota de barcaças do mundo, atrás apenas doe EUA e da China.

É o segundo país com maior retorno de investimento na América Latina (22%) e o 10º no mundo, e tem o maior crescimento econômico das Américas.

Tudo isso com uma área equivalente a apenas 4,8% do território brasileiro.

 

REVISTA FORBES

Fonte: naoviu.com.br - Foto: O Paseo La Galería, citado pela Forbes como um dos ícones do novo Paraguai (crédito: ABC Color)

A matéria, publicada na edição de fevereiro passado, pela Revista Forbes, dos EUA, umas das principais e mais conceituadas revistas de economia do mundo, com o título “o novo líder emergente da América do Sul”, faz um Raio-X do Paraguai, para explicar por que, hoje, o país supera o Brasil e a Argentina na confiança de investidores internacionais.

E como o pequeno país, vizinho dessas duas potências econômicas da América do Sul, tem hoje um crescimento sustentável. Isto é, praticamente imune às crises eventuais.

Qual é o segredo do Paraguai, para conseguir o que parecia impossível?

Segundo a Forbes, o país soube escapar da armadilha de depender exclusivamente da exportação de commodities (soja e carne, entre outras) e, nos últimos anos, reduziu os níveis de pobreza, aumentou a prosperidade e se tornou um líder regional.

A Forbes diz que na vanguarda desta transformação está o presidente Cartes, que assumiu o cargo em 2013 e “inaugurou uma nova era de sucesso econômico paraguaio”, modernizando a economia e “empurrando o Paraguai para o cenário mundial”. Nada mal, hein?

As medidas que o governo adotou, a partir do Plano Nacional de Desenvolvimento 2014-2030, “focado na redução da pobreza, no desenvolvimento social, no crescimento econômico inclusivo e na inserção do Paraguai na economia global”, incluíram maior transparência do governo e mais responsabilidade fiscal, “em uma tentativa séria de combater a corrupção e a ineficiência do setor público”.

A isso se somaram o cuidado com a inflação e a criação de um conselho consultivo fiscal.

O Paraguai obteve, como resultados, a estabilidade nos preços e no câmbio e sua dívida pública consolidada ficou em 22% do PIB, um dos mais baixos índices da região.

 

GRAU DE INVESTIMENTO

Obviamente, os investidores sempre estão atentos aos países de economia estável.

E as agências de risco melhoraram as notas do Paraguai, que ainda este ano deve atingir o grau de investimento que o Brasil já teve e perdeu.

Pra chegar a isso, o que é considerado “a chave para o sucesso do governo Cartes” pela Forbes, o Paraguai conseguiu diversificar sua base econômica, antes fortemente dependente de exportações agrícolas e de eletricidade (pelas participações em Itaipu e Yacyretá).

Até 2012, a agricultura representava quase um quarto do PIB paraguaio, enquanto a indústria e a construção civil respondiam por pouco mais de 6%.

Hoje, o agronegócio gera 15% do PIB, e a indústria e a construção cresceram para 20%, de acordo com a ministra das Finanças, Lea Gimenez.

O que fez a construção civil aumentar sua participação foi, principalmente, o quadro regulatório criado pelo governo Cartes, para encorajar as parcerias público-privadas, como um caminho para enfrentar o déficit de infraestrutura do país, incentivando ainda mais o investimento no setor.

Cartes, prossegue a Forbes, aplicou no governo uma visão empresarial, com uma equipe de ministros “altamente treinados para dirigir sua ambiciosa agenda, reduzindo o desperdício e aumentando a responsabilidade no governo”.

“Nós temos como meta a criação de emprego e melhores condições econômicas para todos os paraguaios. Mas, para fazer isso, o setor público tem que desempenhar seus deveres, assim como o setor privado. Eu acredito que, nesse sentido, estamos na vanguarda da região”, disse o presidente à Forbes.

Um dos meios de reduzir a pobreza foi o programa de habitação social, com a entrega de mais de 20 mil moradias e outras 10 mil para serem entregues até o final do governo Cartes.

Na educação, foram criadas bolsas de estudo para estudo de ciência e tecnologia nas melhores universidades do mundo.

“Quando esses alunos entrarem na força de trabalho paraguaia, eles aplicarão sua inovação aos produtos e processos do país”, disse o presidente.

 

“CHINA DO BRASIL”

Outro pilar da administração Cartes é seu apoio às fábricas conhecidas como “maquilas”.

A lei de Maquila oferece condições competitivas às empresas internacionais, para montar seus produtos no Paraguai para exportação.

Mais de 150 empresas operam no Paraguai sob a lei – 70% a partir de 2013 – produzindo de tudo, desde peças de automóveis até sapatos e brinquedos.

Lembra a Forbes que 60% dessas empresas são brasileiras.

Isso porque “temos as condições mais competitivas para a fabricação na região, oferecendo energia competitiva, custos trabalhistas e impostos baixos e uma mão de obra jovem. Nós somos a China do Brasil”, diz o ministro de Indústria e Comércio, Gustavo Leite.

“Com incentivos convincentes, incluindo incentivos fiscais, repatriamento completo de capital e lucros, e direitos iguais para investidores estrangeiros e empresas locais, bem como uma posição estratégica no coração do Mercosul, o Paraguai está vendo uma onda de investimento estrangeiro de seus vizinhos, bem como de mais longe, Europa, América do Norte e Ásia”, diz a Forbes.

O especialista em negócios internacionais Hugo Berkemeyer, sócio da Berkemeyer Law Firm, diz que os clientes geralmente perguntam se o Paraguai é um país atraente para investimento, já que tem apenas 7 milhões de consumidores.

“É um mercado pequeno pelos padrões latinoamericanos”, diz Berkemeyer.

No entanto, ele lembra aos investidores que o mercado paraguaio se estende aos vizinhos Brasil e Argentina, que juntos somam 250 milhões de habitantes.

Fonte: naoviu.com.br