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Agronegócio

quarta, 21 de março de 2018
Agronegócio sustenta retomada da economia do Paraná em 2017

Pouco mais de uma semana depois de o governo federal ter comemorado o pequeno crescimento da economia brasileira em 2017, de apenas 1% na comparação com 2016, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) surpreendeu alguns setores ao divulgar o desempenho econômico do estado. Pelos números do Instituto, o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná cresceu 2,5% no ano passado, mais que o dobro da média nacional.

Considerando a “época de vacas magras”, em que o estado vinha de uma queda de 3,4% em 2015 e 2,3% em 2016, a taxa de expansão trouxe ânimo e está servindo para aumentar a confiança dos setores produtivos. Mas quando os números são analisados com detalhes, muitos economistas preferem colocar os “pés no chão” e não descartam solavancos na caminhada para um ciclo maior de crescimento.

A cautela se deve ao fato de que o PIB paranaense foi fortemente impactado pelo desempenho da cadeia do agronegócio, esse sim surpreendente, enquanto outros setores obtiveram resultados bem mais modestos. O setor primário, que compreende a agricultura e a pecuária, teve um salto de 11,5%.

“Em 2017 o Brasil teve um crescimento do setor agroexportador muito forte. Como no Paraná esse segmento tem um peso grande, o efeito acabou levando a um crescimento significativo do PIB. É um efeito setorial, essa é a primeira coisa a ser observada. Não podemos associar esse crescimento a políticas públicas”, avalia Marcelo Curado, professor de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Menos cauteloso, Marcelo Percicotti, gerente de Economia da Fiep, ressalta a reação da indústria, depois de anos seguidos de queda. O setor industrial teve crescimento de 1,8% no ano passado, com expansão significativa no último trimestre, de 2,2%. “O resultado reflete a força econômica do Paraná, caracterizada pelo dinamismo industrial e o agronegócio, com a presença de empresas relevantes, que fazem com que o estado sempre consiga se destacar quando há uma retomada da economia do país”, diz.

De outro ponto de vista, o diretor-presidente do Ipardes, Julio Suzuki Junior, defende que a diferença do PIB do Paraná com a média nacional se deu pela retomada da indústria e o desempenho razoável dos serviços. “A agropecuária foi o grande vetor do crescimento em 2017, mas o que fez a diferença em relação ao Brasil foi o bom desempenho tanto da indústria quanto dos serviços”, afirmou.

Ambiente de negócios, infraestrutura e muitos impostos travam expansão

O crescimento da economia paranaense acima da média nacional em 2017 foi comemorado pelo governo e setores empresariais, mas para praticamente a unanimidade dos analistas o resultado poderia ter sido mais vigoroso não fossem as dificuldades impostas ao setor produtivo do estado. Entre os inúmeros pontos que impediram uma expansão maior da atividade econômica paranaense podem ser destacados o acesso a créditos para investimentos, os altos impostos à produção, infraestrutura deficiente e problemas no ambiente de negócios.

“É preciso ter um conjunto de elementos institucionais que favoreça o empreendimento. E nesse rol entra uma série de medidas de melhoria para o ambiente de negócios, o que nós chamamos de reformas macroeconômicas. São medidas, por exemplo, para facilitar a abertura e fechamento de empresas, redução no tempo de demandas judiciais e logística”, diz Marcelo Curado, professor do Departamento de Economia da UFPR.

Fonte: Célio Martins/Gazeta do Povo